Talento múltiplo
Não tem limites a vastidão de qualidades
e, portanto, de adjetivos, que se precisaria empregar
para descrever uma personalidade como a de Anna Amelia
Queiroz Carneiro de Mendonça. A multiplicidade
de facetas de que se valeu para conviver com seu tempo
chama atenção logo de início: poeta
sensível, mulher pioneira, mãe de família
amorosa, defensora da educação e dos estudantes,
militante das causas mais nobres, entre elas a da igualdade
de direitos da mulher, Anna Amelia transformou em ação
todos os ideais que sempre a moveram e construiu uma história
de poemas escritos e feitos concretos – ainda hoje,
25 anos depois de sua morte, visíveis e marcantes.
No dia 27 de agosto deste ano, celebrou-se o centenário
de nascimento de Anna Amelia Queiroz Carneiro de Mendonça.
A autora de “Esperanças” e “Alma”,
presidente da Casa do Estudante do Brasil durante mais
de 40 anos, nasceu no Rio de Janeiro mas foi criada em
Itabirito (MG), na Usina Esperança, primeira siderúrgica
comercial a funcionar regularmente no Brasil, um pioneirismo
de seu pai, José Joaquim de Queiroz Júnior.
Viveu junto aos filhos dos empregados da usina uma infância
alegre, em meio a partidas de “football”,
um modismo recém-chegado ao País.
Não estudou em escola – por intermédio
de pacientes preceptoras, ela e sua irmã Laly (Laura
Margarida), dois anos mais nova, aprenderam a cultura
geral que as distinguiria entre as moças logo que
voltaram para o Rio, quando o pai adoeceu e a família
foi buscar tratamento na então Capital Federal.
Aprenderam também inglês, francês
e alemão. A rimar, parece que Anna Amelia nunca
teve que aprender; toda a família se lembrava da
menina de pouco mais de três anos a exclamar, de
olho no tempo, ainda sem dominar todos os erres:
“Chuvaada, chuvaada
eu fui ver
não era nada.”