Carnaval ao som dos Beatles

Fim da folia, mas que folia? Passamos quatro dias de descanso em Belo Horizonte, onde o "frenesi de Momo", como definia meu pai, se resume a um ou outro bloquinho de poucas dezenas de foliões escutados ao longe... Carnaval ao som dos Beatles, para não variar (os Fab Four são tema de algo que estou escrevendo, daí a necessidade de dedicar a eles todo o tempo disponível).
Depois de ler a biografia dos quatro, leio agora a do Lennon apenas. E almanaques, reportagens, entrevistas... E ouço os discos deles sem cessar, do conjunto e da carreira solo. Enfim, só coisa boa. Aos poucos vou comentando aqui com vocês.
Enquanto isso, agora que o ano começa pra valer (não pra mim, que já estou no batente há meses), desejo a todos um ano de muitas realizações.

Beijos!

Clara Arreguy, Quarta-feira, Fevereiro 17, 2010. 0 comentário(s).

______________________________________________________

Lindos Beatles


Estava com preguiça de encarar "The Beatles - A Biografia" por pura preguiça da grossura do volume. Por dever de ofício, encarei. Pois posso dizer que valeu cada uma das 950 páginas do calhamaço. O trabalho de reportagem que consumiu sete anos da vida de Bob Spitz é um mergulho completo na vida de cada um dos Beatles e em diversos outros personagens que os rodearam, como as mulheres, empresários, outros músicos, amigos etc.

John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr já foram contados e cantados em prosa e verso. Mesmo assim, a grandiosidade da empreitada se justifica e merece todos os elogios. Acompanhamos fatos, relatos, processos, climas, diálogos. Ao final, a sensação é de que as quase mil páginas foram muito pouco. É preciso ler agora as quase 800 de Many years from now, de Paul, as mais de 800, da biografia de John, e seguir adiante, pois assunto, quando se trata dos Beatles, nunca vai mesmo faltar.


Beijos!

Clara Arreguy, Segunda-feira, Fevereiro 08, 2010. 0 comentário(s).

______________________________________________________

Clint, Mandela, Freeman

Foto: Divulgação

Uma combinação como essa do título não poderia resultar em nada menor que imenso. Assim é a sensação ao assistir a Invictus, o filme em que Clint Eastwood conta um episódio da vida de Nelson Mandela, o primeiro presidente negro da África do Sul, interpretado com maestria por Morgan Freeman. Não fosse por nada, a simples mistura de esporte e política já renderia uma discussão calorosa. Mas o filme - e a história - vão além.

Mandela acabara de se eleger presidente, no ponto crucial da superação do regime do apartheid, quando avizinha-se a Copa do Mundo de rúgbi e o time nacional, composto majoritariamente por brancos (um único jogador negro, de fato) desperta a paixão da torcida branca minoritária e o desprezo da maioria negra. O presidente, fã do esporte, consegue conquistar o time, por intermédio de seu capitão (bom trabalho também de Matt Damon), e envolver, por seu turno, toda a população do país, num exercício de perdão, compreensão, refundação da pátria a partir da negação do passado e da vingança em nome da afirmação de um novo tempo.

Muito muito bom. Trabalhos impecáveis. Clint domina como poucos a arte da narrativa cinematográfica, não escorregando para o dramalhão mas permitindo que as emoções aflorem.

Beijocas!

Clara Arreguy, Segunda-feira, Fevereiro 08, 2010. 0 comentário(s).

______________________________________________________

Desemprego e solidão

Foto: Divulgação

Um filme diferente este Amor sem escalas, de Jason Reitman (diretor de Juno e Obrigado por fumar), em que George Clooney faz o papel de um profissional da demissão alheia. O protagonista não só tem o cargo de demitir em massa as pessoas, tentando adoçar o veneno, como faz disso um estilo de vida. Ele não se liga a ninguém, não mora em lugar nenhum, passa a vida voando de lá pra cá, pelo país, acumulando milhas e vivendo encontros casuais. Mas tudo isso está prestes a acabar por causa de uma ideia mais "moderna": a demissão por teleconferência.
O encontro com Natalie, a moça que idealizou o novo método (Anna Kendrick) e com Alex (Vera Farmiga), uma versão dele mesmo (só que "com vagina", como ela se define), altera seus antigos postulados, fazendo-o rever o estilo de vida frio e solitário que adotara como meio de se proteger da vida.
Embora recorra até a entrevistas "reais", com não atores, o filme é sutil, sem obviedades, inteligente, dá seu recado em tempos de crise global sem fazer discurso. E tem desempenhos bem convincentes, principalmente do trio central. Ótimo.

Beijos!

Clara Arreguy, Sexta-feira, Fevereiro 05, 2010. 0 comentário(s).

______________________________________________________

Homenagem aos fotógrafos




Num gesto generoso e na contramão da postura usual, o jornalista Bernardino Furtado celebrou seus 20 anos de reportagem com a publicação de um livro e uma exposição com o trabalho de fotógrafos que o acompanharam nesse período. São 20 fotógrafos do mais alto nível, de várias partes do país, inclusive o meu companheiro Paulo de Araújo, que comparece com imagens feitas durante matérias dos dois com os xavantes, no Mato Grosso, e sobre a transposição do Rio São Francisco.

O livro e a exposição se chamam Cumplicidade, mesmo nome do site que Bernardino mantém sobre o projeto e no qual se podem ver mais fotos. A abertura da exposição e o lançamento do livro foram na quinta passada, em Belo Horizonte, onde nos confraternizamos com várias gerações do jornalismo de qualidade.

O livro é sensacional, por conter imagens do Brasil e de brasileiros como pouco se vê na mídia. Gente normal, pobre, de cada rincão. Não há reportagens, apenas textos curtos e significativos sobre os "cúmplices", mas o elogio à beleza do nosso povo e do nosso país, bem como o caráter de denúncia social, estão presentes em cada página.

Acima, o convite da exposição, que após BH poderá ser vista em São Paulo. E uma foto do Paulo com o Bernardino, feita por uma profissional contratada pela produção do evento.
Aqui, o link pro site, onde há mais fotos e mais detalhes: http://www.cumplicidade.org/.
Beijos!

Clara Arreguy, Segunda-feira, Fevereiro 01, 2010. 0 comentário(s).

______________________________________________________

Inteligência no ar



Foto: Divulgação/Rede Globo


Enquanto a chatice e a burrice se disseminam pelas ondas da televisão, alguma resistência sempre surge, e nem sempre de emissoras educativas e culturais, como na grande maioria das vezes. Estou falando do texto diferente e inteligente da novela Tempos modernos, que o dramaturgo Bosco Brasil assina (em sua estreia como titular no horário das 19h da Globo).

Tendo como tema principal o Centro de São Paulo, com seus ícones culturais e personagens que parecem ter saído dos quadrinhos, a novela de Bosco Brasil se vale de grandes atores (liderados por Antônio Fagundes, foto) e interpretações divertidas para arejar um gênero tão sem novidade.


Alvíssaras!

Clara Arreguy, Quarta-feira, Janeiro 27, 2010. 0 comentário(s).

______________________________________________________

Músculos em lugar de cérebro


Foto: Divulgação


Não achei Sherlock Holmes ruim, apenas não condiz com a tradição de inteligência no lugar de força bruta atribuída ao personagem criado por Conan Doyle. Está certo que, no filme de Guy Ritchie, o detetive particular não abdica de sua inata capacidade de observação e dedução, só que ele usa isso até pra distribuir porrada. E o Dr. Watson, figura que nos acostumanos a pensar como bonachão, quem diria, lutando e distribuindo tiros como um coadjuvante de filme de ação qualquer?

Se Robert Downey Jr. não desaponta, como muitos críticos apontaram, alegando escalação errônea - prova de seus méritos está no Globo de Ouro que ganhou ontem à noite pelo papel -, Jude Law (à esquerda na foto) associa ao de Downey (D) seu carisma habitual, numa dobradinha com um quê de Butch Cassidy e Sundance Kid (claro, a léguas de Newman e Redford).

O filme tem seus atrativos, como o charme dos protagonistas, embora a obviedade da trama dispense o possível suspense. Mas divertido nessas férias de verão, sem dúvida.
Beijocas!

Clara Arreguy, Segunda-feira, Janeiro 18, 2010. 0 comentário(s).

______________________________________________________

Herzog genial

Foto: Divulgação/Sulekha Movies

Tinha razão - como sempre - o Tiago Faria nos elogios ao novo filme de Werner Herzog, traduzido no Brasil como Vício frenético. Com um desempenho magnífico de Nicolas Cage à frente do elenco (na foto, com a lindíssima Eva Mendes), a obra narra a história de um policial que, ao cometer uma boa ação (salvar um preso durante o furacão que arrasou Nova Orleans), fica com um problema físico que o leva a se viciar em todo tipo de droga e a corromper seus atos em nome do vício.

Num cenário devastado tanto do ponto de vista da natureza quanto no aspecto humano, o personagem central conduz a linha narrativa entre a degradação e alguma perspectiva de redenção, já que seu próprio pai, alcoólatra, está em reabilitação e esse parece ser um caminho possível para ele, a madrasta, também alcoólatra, e a namorada, prostituta e viciada como ele.

O enredo gira em torno de um assassinato quíntuplo de uma família de imigrantes africanos ilegais que interferiu nos negócios de um grande traficante de heroína. Com traficantes, mafiosos, bookmakers, policiais bons e maus em confronto sem heróis nem bandidos claramente definidos, Herzog compõe uma história ácida com pontadas de esperança, um belo filme com uma interpretação antológica de Cage, certamente candidata a prêmios.


Beijos!

Clara Arreguy, Sábado, Janeiro 16, 2010. 0 comentário(s).

______________________________________________________

Sem palavras

Não é força de expressão quando a gente diz: estou sem palavras. Não há palavra possível diante de certas situações. As tragédias, as perdas irreparáveis, as catástrofes em larga escala, tudo isso deixa a gente simplesmente sem o que dizer.
Não há palavra sábia o suficiente porque não há sabedoria para isso. Não há discurso porque não há explicação nem justificativa. Então, o que fazer? Presença, segurança do amor, certeza de que, por mais que nasçamos e morramos sozinhos, há alguém por perto que deseja nos amar.
Como disse um senhor de 91 anos que conheci hoje, a gente nasce é pra morrer, não pra viver.

Beijos!

Clara Arreguy, Sexta-feira, Janeiro 15, 2010. 0 comentário(s).

______________________________________________________

Viagem ao Brasil pela música

Foto: Divulgação/TV Globo

Interessante a minissérie Dalva e Herivelto - Uma canção de amor, talvez mais até pela música do que pela história de amor e ódio entre dois grandes nomes da música popular brasileira. Se o lado do romance e do drama tem seus pontos altos na história escrita por Maria Adelaide Amaral e dirigida por Dennis Carvalho para a Globo, a parte musical é ainda mais rica. Se Adriana Esteves e Fábio Assunção (foto) defendem com competência seus personagens, é no fio condutor da trama - os artistas e as canções do rádio brasileiro nos anos 40 e 50 - o verdadeiro retrato do Brasil na época e das raízes do que somos hoje em matéria de samba e MPB.

Dalva de Oliveira foi uma das rainhas entre as cantoras brasileiras, e Herivelto Martins um grande compositor. Personagens como os dois, mais Grande Otelo, Dercy Gonçalves, Emilinha Borba, Francisco Alves e outros são tão importantes para a história do país quanto os políticos da época, ou mais. Eles são eternos, e a iniciativa de contar sua história pessoal e artística se iguala a trabalhos anteriores, como Maysa, que tiveram méritos semelhantes.


Beijos!

Clara Arreguy, Quarta-feira, Janeiro 06, 2010. 0 comentário(s).

______________________________________________________

A mulher na psicanálise

Ausente durante alguns dias para merecido descanso de fim de ano (na verdade, uma puxada pedalada de Joinville a Florianópolis, confira no blog do www.dapedal.org), registro aqui a leitura de um livro interessante, difícil, mas enriquecedor. Trata-se de Patu, a mulher abismada, de Ana Lucia Lutterbach Holck, editado pela Subversos. O livro reúne textos da psicanalista sobre diversas questões que têm a mulher em seu centro. A mulher que, conforme definição lacaniana, "não existe", ou se conforma como "nãotoda".
Nos textos, alguns mais técnicos e de leitura mais difícil, por tratarem de conceitos de Freud e Lacan nem sempre apreensíveis por quem não tenha conhecimentos mais específicos, a autora analisa a presença desses conceitos em obras literárias (Marguerite Duras, Tolstoi) e cinematográficas (Almodóvar, Dalry). Não se trata de "pôr no divã" as obras, mas de buscar a interface entre as leituras teóricas e o processamento e a criação artística.
Ana Lucia faz ainda o relato de seu "passe", processo que nas instituições lacanianas corresponde a uma formação profissional para aquele que encerra a própria análise e se assume como analista. Um relato que poderia ser frio e técnico, mas que se constitui como texto capaz de falar à emoção do leitor.
E, ao final, relata, também sob aspectos teóricos e práticos, o trabalho desenvolvido pelo projeto Digaí-Maré na Favela da Maré, no Rio de Janeiro, uma intervenção da psicanálise num cenário de violência urbana.

Beijos e feliz 2010!

Clara Arreguy, Quarta-feira, Janeiro 06, 2010. 0 comentário(s).

______________________________________________________

Mundo (zen) animal

Foto: Divulgação

Menos história de aventura animal do que história de amizade animal, Sempre ao seu lado, de Lasse Hallström, se baseia num filme japonês, por sua vez criado a partir de um fato real ocorrido entre os anos 20 e 30, no Japão. A comovente amizade entre um cão e seu dono. Hachi, o bichinho, encontra (ou é encontrado por) Parker (Richard Gere), um professor de música, que o adota com tamanha devoção (mútua) que os destinos dos dois estarão eternamente ligados, mesmo após a morte do ser humano.
Com delicadeza e sem preocupação com mirabolantes efeitos que demonstrem as habilidades quase humanas do cão, a adaptação se concentra na relação zen que supera a morte e humaniza o animal sem forçar a barra. O instinto de lealdade e apego é qualidade a aprender, mas não tem nada a ver com subserviência ou dominação. Amor e amizade são os sentimentos mais nobres e falam mais alto aos olhos de todos que passam pelo caminho de Hachi.
Fora isso, os atores são fofos demais. Seja Richard Gere, do alto de seus 60 anos (no papel de 50), seja os cachorrinhos que interpretam Hachi bebê, Hachi adulto e Hachi velhinho. Metade do cinema chora, a outra até cochila, mas quem não tem pressa nesta vida corrida pode curtir bons momentos do melodrama.

Beijos!

Clara Arreguy, Sábado, Dezembro 26, 2009. 0 comentário(s).

______________________________________________________

Feliz Natal, com John e Yoko

Happy Xmas Yoko
Happy Xmas John

And so this is Christmas
And what have you done
Another year over
And a new one just begun
And so this is Christmas
I hope you'll have fun
The near and the dear one
The old and the young
A very Merry Christmas
And a happy New Year
Let's hope it's a good one
Without any fear

And so this is Christmas
For weak and for strong
For rich and the poor ones
The world is so wrong
And so happy Christmas
For black and for white
For yellow and red ones
Let's stop all the fight
A very Merry Christmas
And a happy New Year
Let's hope it's a good one
Without any fear

And so this is Christmas
And what have we done
Another year over
A new one just begun
And so happy Christmas
We hope you have fun
The near and the dear one
The old and the young
A very Merry Christmas
And a happy New Year
Let's hope it's a good one
Without any fear

War is over, if you want it
War is over, now

Happy Christmas

Clara Arreguy, Quinta-feira, Dezembro 24, 2009. 0 comentário(s).

______________________________________________________

A estrela


Assim como falamos aqui do desempenho de Andréa Beltrão, é preciso reverenciar sem pudor a estrela que é Glória Pires. Só ontem à noite pude ver É proibido fumar, de Anna Muylaert, muito justamente vencedor dos principais prêmios do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro deste ano. Inclusive os de melhor ator e atriz. Podem dizer que Paulo Miklos faz papel de Paulo Miklos (o que não é verdade, ele está ótimo no filme), mas de Glória Pires ninguém dirá que se repete. Se ela abriu o festival deste ano no centro do polêmico Lula, o filho do Brasil, de Fábio Barreto, como a mãe do presidente e fio condutor da narrativa, na comédia que venceu o certame é outro o foco.

Em É proibido fumar, Glória Pires faz uma mulher incapaz de uma ação mais positiva na própria vida, parada dentro de um apartamento onde mal e mal dá aulas de violão. A chegada de um vizinho músico e o vislumbre de uma relação com novidade e alegria mobilizam essa mulher, que vive às voltas com modelos de irmãs que rejeita (a mãe de família e dona de casa, de um lado, e a executiva bem-sucedida, de outro).

Detalhe: o sotaquinho de paulista, sutil, que a atriz inventa sem cair na caricatura (como não havia caído ao falar em "nordestinês" no outro filme).

Glória Pires tem quase tanto tempo de carreira quanto de vida, é um dos maiores nomes da telenovela brasileira, que defende com talento e garra, sem preconceito, e nunca havia ganhado um prêmio por cinema. Emocionou-se em Brasília quando levantou seu primeiro Candango. Merecido. É uma estrela, capaz de dar ainda mais substância à comédia em que Anna Muylaert está mais interessada em fazer pensar do que em fazer rir.


Beijos e feliz Natal!


PS - Para nós, mineiros, é sempre um prazer ver nas telas atores do talento dos que temos, só que confinados ao teatro (local, nacional e internacional). É o caso de Antônio Edson, o Toninho do Galpão (com Glória, na foto), que faz bem o papel do porteiro, determinante na trama.

Clara Arreguy, Quarta-feira, Dezembro 23, 2009. 0 comentário(s).

______________________________________________________

Comediante dramática

Foto: Divulgação

A exibição, pelo Canal Brasil, do drama Verônica, de Maurício Farias, tão próxima da estreia nos cinemas de Salve geral, de Sergio Rezende, evidencia uma qualidade de Andréa Beltrão nem sempre lembrada: a de atriz dramática. Mais conhecida pelas personagens cômicas que sempre defendeu (e bem) no cinema, no teatro e na televisão, a Marilda de A grande família e a eterna Zelda Scott, de Armação Ilimitada, apresenta nesses dois filmes recentes, ambos sobre temática policial e barra-pesada, recursos dramáticos raramente vistos nos poucos papéis do gênero, em sua carreira.

Em Salve geral a tensão era mais exterior, com mais cenas de violência explícita do que em Verônica. Neste, embora também haja perseguições e tiros, o melhor do conflito se dá na alma da personagem que nomeia o filme, uma professora primária da rede pública desgastada pela relação com as crianças, pela falta de condições de trabalho, pela penúria financeira e emocional, pela vida desvalida que leva - e sem querer condenada a se superar para cuidar de alguém ainda mais desvalido que ela.

Em interpretação forte e de poucas palavras, Andréa Beltrão conduz, ao lado do menino Matheus de Sá (foto), a narrativa cheia de sutilezas que permeia uma trama nada sutil.

Beijos e boa semana de Natal!

Clara Arreguy, Segunda-feira, Dezembro 21, 2009. 1 comentário(s).

______________________________________________________

Uma história de amor

Foto: Dvulgação

Um Almodóvar maduro é garantia de excelência. Abraços partidos, o novo filme do diretor espanhol, pode ser definido assim. História de amor com uma série de outras complexidades, a fita traz uma trama em que visão e cegueira, culpa e redenção se entrelaçam para formar um painel de nada singelas emoções.

Pedro Almodóvar hoje em dia domina de tal forma a linguagem cinemtográfica que todas as referências que faz à história do cinema se encaixam de forma não linear nem didática. E as há de monte em Abraços partidos, na história do diretor que fica cego ao perder a mulher amada e, com ela, a identidade, a história, o passado. Mas nem (sempre) tudo está perdido, quando há remissão e resgate, com a possibilidade de construção do novo a partir dos erros de outrora.

Penélope Cruz e Lluis Homar (foto) atuam com brilho, ao lado de todo um elenco perfeito, sob a batuta de um cineasta que criou um universo narrativo fascinante, em que nenhum elemento é gratuito e tudo se compõe para criar uma obra tão intrigante quanto prazerosa.

Beijins!

Clara Arreguy, Sexta-feira, Dezembro 18, 2009. 1 comentário(s).

______________________________________________________

Balada do louco

Foto: Divulgação

Só ontem vi, pelo Canal Brasil, o filme Lóki - Arnaldo Baptista, o documentário de Paulo Henrique Fontenele que a emissora produziu e que acompanha a trajetória do compositor e músico, ex-integrante dos Mutantes. Uma história marcada por trágicos eventos, o mais deles o processo de sofrimento mental que tomou conta do artista boa parte de sua vida e que, com ou sem razão, imprimiu sobre ele a pecha de louco.

Criador genial, Arnaldo influenciou gerações - são eloquentes os depoimentos, no filme, de gente como Kurt Cobain e Sean Lennon, ao lado de brasileiros como Lobão, Roberto Menescal ou John Ulhoa, contemporâneos dele, gente que partilhou momentos alegres e tristes, gente que veio antes ou depois, mas que se aqueceu à luz de sua estrela.

Vida particular e arte, em Arnaldo Baptista, se misturaram de tal forma que acompanhamos tudo, com a crueldade típica da mídia, de seu calvário ao "enlouquecimento", do brilho ao acidente (ou tentativa de suicídio, não há verdade única no episódio), da separação de Rita Lee ao encontro com Lúcia (com ele na foto), a companheira cujo amor o resgatou de volta à vida.

Ao mostrar os Mutantes nos anos 60 e 70, depois a retomada, 33 anos mais tarde, vemos um filme não apenas tocante como necessário, por recolocar a importância de um artista que atuou no ponto de inflexão da música popular brasileira - a Tropicália - e por permitir a recuperação de uma memória até então dispersa por aí.

Beijões!

Clara Arreguy, Sexta-feira, Dezembro 18, 2009. 0 comentário(s).

______________________________________________________

Uma dica poética

Foto: Divulgação/Campo das Letras

Por gosto ou dever de ofício, a gente acaba acompanhando uma série de blogs políticos e culturais, uns bons, outros nem tanto. Um que apenas recentemente comecei a acompanhar - e com que prazer! é o do Paulinho Assunção: http://paulinhoassuncao.blogspot.com/.

Jornalista e escritor, Paulinho mantém um blog literário com seus textos refinadíssimos, de alta voltagem poética, um deleite para o leitor, seja ou não seu amigo, como eu.

Sou colecionadora dos livros que Paulinho produz e distribui pessoalmente, independentemente. Desde o já antológico A sagrada blasfêmia dos bares, do qual, não sei mais por quê, tenho dois exemplares históricos, tento ler tudo que ele escreve. Numa temporada dele nos Estados Unidos, recebia seu "diário" de então, um precursor do blog. Fiquei distante alguns anos, mas não perdi o gosto por sua literatura, dele e de seus heterônimos.

Sobre Paulinho Assunção, há uma piada que nunca esqueço. Quando trabalhos juntos na assessoria de comunicação da Fundação Clóvis Salgado, outro colega querido era o fotógrafo Valdir Lau, o Didi, enrolado notório. Paulinho e Didi eram muito amigos, cada um mais criativo e cheio de ideias. Um belo dia, mantiveram o seguinte diálogo:

Paulinho: Didi, estou uma usina!
Didi: E eu, uma bobina...

Beijos poéticos!

ps - ah, no Twitter ele assina Assun_P

Clara Arreguy, Segunda-feira, Dezembro 14, 2009. 0 comentário(s).

______________________________________________________

Ainda (e sempre) Tim

Leitores, como o amigo Wá, estão na mesma sintonia que eu. Depois de ler (durante a viagem a Caxias do Sul, para a abertura da exposição do Paulo de Araújo, 3XNeusa) a excelente biografia de Nelson Motta, Vale tudo - O som e a fúria de Tim Maia, sobre o rei do suingue brasileiro, troquei a ideia fixa de Beatles pela monomania de Tim. Comecei a reouvir tudo que tenho, das obras inesquecíveis às mais picaretas (coletâneas essencialmente comerciais) e discos póstumos, sem tanto valor que não o sentimental.
Parei nos dois em inglês: a coletânea These are the songs - Tim Maia canta em inglês, lançada em CD em 2001, mas com faixas antigas de sua autoria; e What a wonderful world, com canções americanas, lançada em 1997, pouco antes de sua morte, naquela leva de discos que ele produziu em seu estúdio, com a eterna banda Vitória Régia.
Assim como aqueles em que Tim relê a bossa nova, esses são exemplares do vigor de intérprete de um criador raro. Sobre isso, pouco depois da morte de Tim encomendei ao Rick (meu irmão) que gravasse um CD pra mim só com releituras de Tim para pérolas dos outros. Tem das bossas novas a Arrastão, Oceano, Saigon, Lindo lago do amor, Só você, Como uma onda e dezenas de outras maravilhas.
Resultado: nesses últimos anos, o CD embalou tanto minhas melhores horas que praticamente furou. Arranhado, não toca mais nem em computador nem nos aparelhos mais "pé duro" que tenho, capazes de rodar qualquer mídia. Snif. Lá se vai embora Tim Maia mais uma vez.

Beijus!

Clara Arreguy, Quinta-feira, Dezembro 10, 2009. 1 comentário(s).

______________________________________________________

Saudade de Tim Maia

Foto: Divulgação

Uma das vantagens de não estar atrelada a uma instituição é poder ler fora de hora. Explico: é que, quando eu era editora de cultura de jornal, ficava obrigada a ler apenas lançamentos, o resto estava desatualizado. E depois que passava, não dava mais matéria. Agora, livre, estou tirando o atraso. Um deles, a deliciosa biografia de Tim Maia escrita por Nelson Motta três anos atrás. Vale tudo: o som e a fúria de Tim Maia (Objetiva, 392 páginas, cerca de R$ 40).

Que Tim Maia era um personagem antológico, todo mundo sabia. Muitas das histórias dele já eram conhecidas pelo folclore em torno de sua figura, por entrevistas em que misturava ironia com rara franqueza, até pelo livro que o amigo Fábio, companheiro de música e maluquices durante boa parte da vida, lançou em 2007 (o link para meu post neste blog é http://www.clara-arreguy.com/arquivos/2007_03_01_arquivo.html).

No livro de Nelson Motta, no entanto, a história do grande artista e do homem atormentado ganha fôlego de épico, com todos os motivos para tal. Tim era grandioso no talento e nos problemas, nada dele foi discreto ou menor. Até as aprontações, os vícios, os processos, os voos e os tombos. Fora os casos divertidos, as tiradas, a malandragem exercida em sua plenitude.

Tenho mais de 20 discos dele, chorei muito quando ele morreu, e a leitura da biografia me ajudou a matar um pouco a saudade de sua irreverência.

Vale a pena. Vale tudo, por sinal.

Beijões!

Clara Arreguy, Segunda-feira, Dezembro 07, 2009. 1 comentário(s).

______________________________________________________

arquivos:
fev/06 . mar/06 . abr/06 . mai/06 . jun/06 . jul/06 . ago/06 . set/06 . out/06 . nov/06 . dez/06 . jan/07 . fev/07 . mar/07 . abr/07 . mai/07 . jun/07 . jul/07 . ago/07 . set/07 . out/07 . nov/07 . dez/07 . jan/08 . fev/08 . mar/08 . abr/08 . mai/08 . jun/08 . jul/08 . ago/08 . set/08 . out/08 . nov/08 . dez/08 . jan/09 . fev/09 . mar/09 . abr/09 . mai/09 . jun/09 . jul/09 . ago/09 . set/09 . out/09 . nov/09 . dez/09