Coração Menino
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Apresentacão
Clara Arreguy

O lirismo herdado do sangue lusitano não é força de expressão, pelo menos no caso do Maia. Filho do exímio alfaiate, seu João Português, e de dona Sinhá, virtuosa ao fogão e ao piano, desde sempre o Zezé teve acesso à biblioteca do avô materno, o também português capitão Domingos Maia, herói da Guerra do Paraguai. Os versos, rabiscou desde cedo, no calourento Muriaé de quando trabalhava no bazar, no pachorrento Mutum, onde ajudava no cartório do titio Heitor, no agitado Caratinga, onde entrou para o banco, namorou tantas moças e assinou tantos cadernos de recordações.

Há 56 anos, completados nesse janeiro de 2002, o Maia está ao lado da Nini (se contar namoro e noivado, vai para 59), aquela menina de longas tranças, filha do seu João e da dona Glorinha e irmã de seu amigo Gastão, companheiro de farra, teatro e violão. Os anos se passaram, a filharada chegou, vieram netos, bisneta. O Maia seguiu rimando, apaixonando-se, fazendo troça da vida e da história, comentando o que via, em prosa e verso.

Nós, filhos e fãs, fomos colecionando o que ele rabiscava, à máquina ou em garranchos de guardanapo. Contra sua resistência inicial, creditada à modéstia sem limites, acalentamos o sonho do Livro do Maia. Que contivesse os sonetos mais inspirados, os versos cômicos, a observação aguda ou delicada do cotidiano, as Guaraparíadas da nossa infância, os mergulhos poéticos dos tempos em que ele escondia, sob o pseudônimo de Newton Veríssimo, o que supunha ser “falta de sentido”.

Acho que conseguimos traçar um painel do que tem sido essa trajetória do Poeta. Falta muita coisa, que o tempo, o cansaço e o esquecimento se encarregaram de embolorar. O Maia completou 86 anos outro dia, forte e vívido do mesmo bom humor, da mesma veia poética, da mesma e aguda crítica, da indignação permanente, do idealismo e amor ao homem, ao mundo, ao país, a Deus, que nos inspiram e ensinam. Dá para ter uma idéia de como nos sentimos felizes e realizados por compartilhar com nossos amigos este livro e esta vida.

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Coração Menino
poemas de José Henriques Maia
Outubro Edições, 2002

Edição e revisão de textos por sua filha, Clara Arreguy.

Leia também:
Alguns poemas

Prefácio, por Ziraldo

Coluna de José Bento Teixeira Salles, publicada no caderno de Cultura do jornal Estado de Minas de 3/05/02, sobre o livro Coração Menino.


Pedidos pelo e-mail
clara@clara-arreguy.com
Valor: R$15,00 – envio pelo correio sem taxas adicionais para território nacional.

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