Coração Menino
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Bodas de ouro
De olhar brejeiro, com uma longa trança,
assim ela surgiu no meu destino.
Eu era pouco mais do que um menino
e ela pouco mais que uma criança.
Depois nos encontramos na aliança
que foi meu bem maior – um bem divino.
Ano sim, ano não, vinha um menino
a nos encher de amor e de esperança.
Meus sonhos infantis eram pequenos:
um brinquedo, umas coisas de somenos
e ir pro céu, se eu fosse um bom menino.
E agora, tanto tempo já passado,
eu vejo que alcancei o céu sonhado
quando eu era pouco mais do que um menino.
***
Na praia, a família do Maia
De folga, à beira da praia,
toda a família do Maia
na onda gostosa cai.
Todo mundo corre e pula,
desde o manito caçula
até o velhote pai.
Aquela ali é valente,
essa outra é mais prudente
e este é medroso até.
O Nego, cabeça preta,
cai n’água e não faz careta,
e o Rick nem molha o pé.
A Clara, com seu corpinho,
parece mais filhotinho
de sereia capixaba.
E o Luca, todo queimado,
vai ficando descascado
pelo sol de Muquiçaba.
A Mamãe é uma folgada.
Fica olhando a meninada
e entra, também, um pouco.
“Entra” mesmo é no balaio
de milho verde. E eu saio
pra tomar água de coco.
Na intimidade a família
apresenta a maravilha
de um quadro que aplauso arranca.
Sem maiô ou sem calção,
queimados todos estão,
e todos com a bunda branca.
***
Hexa
História simples. História
nem difícil, nem complexa:
juntou-se glória com glória
E o penta virou HEXA.
Uma glória não vem só:
há sempre uma outra anexa.
Muitas bolas no filó
e o penta virou HEXA.
Prodígio não se inventa,
no HEXA ninguém penetra.
Primeiro tem que ter PENTA
pode agora ver o HEXA.
Quem dessa lente é adepta
e faz uso permanente,
já pode antever o HEPTA
quem vem aí pela frente.
Modesto
o Galo – nem tanto assim –
não passa de simples HEXA.
Se passar, vem o Delfim
Faz um “ó” – e desindexa!