Ainda a coleta seletiva
Clara Arreguy, 15/12/2005
Há mais de um ano, quando vim morar
em Brasília, estranhei, entre as diferenças
da cidade, o fato de ver pouca gente fazendo coleta seletiva
de lixo. Disseram-me que já houve política
pública nesse sentido, que hoje não há
mais. Apenas iniciativas isoladas, de condomínios
e pessoas que se esforçavam para separar seu lixo
e dar destino racional a ele.
No prédio onde fui morar, os administradores se
convenceram das vantagens ecológicas e econômicas
da coleta seletiva e em pouco tempo já tínhamos
receptáculos separados para o material orgânico
e o seco (plástico, vidro, papel, metal etc., desde
que tudo limpo), com a coletividade ganhando com a venda
desse excedente para a indústria de reciclagem.
Quando me mudei, vi que, nas superquadras, havia dois
latões em frente aos prédios, um para cada
tipo de lixo. Qual não foi minha surpresa quando
assisti, outro dia, aos garis recolhendo o conteúdo
dos dois e jogando-os, juntos, no caminhão. Procurei
saber e constatei que, realmente, a gente separa em casa,
lava o que for reaproveitável, cuida com carinho,
embrulha em sacos diferentes, e depois tudo é misturado
e compactado, indo parar no mesmo lixão.
Só não fiquei mais pasma porque soube,
também, que os próprios faxineiros dos prédios
fazem sua triagem, antes mesmo de depositar nas latas,
dando destino principalmente aos jornais e latinhas, de
maior valor para a reciclagem. Ainda iniciativas individuais,
isoladas, distantes de uma política racional, inteligente
e avançada, como convém a uma sociedade
pobre, mas que se moderniza, que tem acesso à tecnologia
e à informação.
Será que isso é uma idiossincrasia minha,
mania de gente velha, idéia fixa, excentricidade?
Será que ficar batendo nessa mesma tecla ajudará
a conscientizar alguém? Sei que, nas escolas, as
crianças aprendem isso e muito mais, sobre defesa
do meio ambiente, amor à natureza e aos animais,
sobre aproveitamento racional dos recursos, sobre combate
à poluição, preservação
dos rios e das florestas. Quando será que o poder
público fará sua parte para que a prática
desses paradigmas deixe de ser slogan e se torne realidade?
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