Amigas da gente e da cultura
Clara Arreguy, 16/09/2005
Nas andanças por aí para divulgar
meu livro Segunda divisão, fui parar esta semana
num lugar onde já deveria ter ido, mas, devido
ao corre-corre de sempre, ainda não conhecia. Trata-se
da Biblioteca Demonstrativa de Brasília (BDB),
entidade pública onde o empenho de Conceição
Moreira Salles viabiliza uma série de atividades.
Ali há a biblioteca propriamente dita – com
muita variedade e uma seção só de
autores brasilienses –, ambientes onde se pode pesquisar,
estudar, reunir e aprender das formas mais variadas. Há
um setor de língua inglesa e uma sala onde professores
tiram dúvidas de alunos o dia inteiro. Organizada,
limpa e ativa, a BDB encanta desde a primeira mirada.
Mas foi a atividade que fui desenvolver ali que mais
me chamou a atenção. Trata-se de um grupo
de senhoras, com 58 inscritas, que se reúne todas
as quartas-feiras para debater os mais variados assuntos
de cunho cultural. Mulheres de diferentes idades, origens
e formações se encontram, trocam idéias,
criam laços de amizade, apoio mútuo. E ajudam
a levar, com conversas inteligentes e agradáveis,
o tempo de que dispõem.
O tema da nossa palestra, por incrível que pareça,
era futebol. E adeus aos preconceitos! Quem pensa que
um grupo de senhoras não iria se interessar pelo
assunto está (como a bola do jogo) redondamente
enganado. Não só se interessam como discutem
acaloradamente, como qualquer brasileiro. Bola, jogador,
torcida, violência, história, tradição,
palavrão. Futebol, futsal, vôlei, basquete.
Entendem de tudo, conhecem, se posicionam. Algumas até
jogam! Sem preconceito.
Tinha atleticana doente (como eu), botafoguense mais
ainda, rubro-negras, vascaínas. Uma senhora que
viu a avó bater de guarda-chuva em tricolores em
jogo contra o Colorado; uma que esteve no Maracanã
no jogo entre Brasil e Espanha (aquele em que 170 mil
pessoas, nas arquibancadas, cantaram em uníssono
as Touradas em Madri) no dia 13 de julho de 1950, pela
Copa do Mundo que fatidicamente perdemos para o Uruguai!
Quem disse que mulher não liga para futebol?
A alegria e a vivacidade daquela turma me encheram de
alegria, vivacidade e amor à vida. É preciso
aprender a lição de que nem só de
meninice, mocidade e maturidade se faz o bem viver. A
melhor idade, como já vem sendo chamada essa deliciosa
etapa da vida, é igualmente tempo de ser feliz.
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