Crônicas publicadas no "Correio Braziliense" a partir de 2004
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Amigas da gente e da cultura
Clara Arreguy, 16/09/2005

Nas andanças por aí para divulgar meu livro Segunda divisão, fui parar esta semana num lugar onde já deveria ter ido, mas, devido ao corre-corre de sempre, ainda não conhecia. Trata-se da Biblioteca Demonstrativa de Brasília (BDB), entidade pública onde o empenho de Conceição Moreira Salles viabiliza uma série de atividades. Ali há a biblioteca propriamente dita – com muita variedade e uma seção só de autores brasilienses –, ambientes onde se pode pesquisar, estudar, reunir e aprender das formas mais variadas. Há um setor de língua inglesa e uma sala onde professores tiram dúvidas de alunos o dia inteiro. Organizada, limpa e ativa, a BDB encanta desde a primeira mirada.

Mas foi a atividade que fui desenvolver ali que mais me chamou a atenção. Trata-se de um grupo de senhoras, com 58 inscritas, que se reúne todas as quartas-feiras para debater os mais variados assuntos de cunho cultural. Mulheres de diferentes idades, origens e formações se encontram, trocam idéias, criam laços de amizade, apoio mútuo. E ajudam a levar, com conversas inteligentes e agradáveis, o tempo de que dispõem.

O tema da nossa palestra, por incrível que pareça, era futebol. E adeus aos preconceitos! Quem pensa que um grupo de senhoras não iria se interessar pelo assunto está (como a bola do jogo) redondamente enganado. Não só se interessam como discutem acaloradamente, como qualquer brasileiro. Bola, jogador, torcida, violência, história, tradição, palavrão. Futebol, futsal, vôlei, basquete. Entendem de tudo, conhecem, se posicionam. Algumas até jogam! Sem preconceito.

Tinha atleticana doente (como eu), botafoguense mais ainda, rubro-negras, vascaínas. Uma senhora que viu a avó bater de guarda-chuva em tricolores em jogo contra o Colorado; uma que esteve no Maracanã no jogo entre Brasil e Espanha (aquele em que 170 mil pessoas, nas arquibancadas, cantaram em uníssono as Touradas em Madri) no dia 13 de julho de 1950, pela Copa do Mundo que fatidicamente perdemos para o Uruguai! Quem disse que mulher não liga para futebol?

A alegria e a vivacidade daquela turma me encheram de alegria, vivacidade e amor à vida. É preciso aprender a lição de que nem só de meninice, mocidade e maturidade se faz o bem viver. A melhor idade, como já vem sendo chamada essa deliciosa etapa da vida, é igualmente tempo de ser feliz.


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