Crônicas publicadas no "Correio Braziliense" a partir de 2004
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Temporada junto aos livros
Clara Arreguy, 2/9/2005

Os tempos são tão bicudos, que é preciso falar de crise ética, crise disso e daquilo. Alertar para o total desequilíbrio ambiental, que provoca furacões implacáveis, tufões, incêndios, alagamentos, secas como esta no Planalto Central, aquecimento global, guerra no Oriente, na Europa, a África morrendo de conflitos e doenças. No entanto, nada disso torna menos importante falar dos livros. Principalmente quando eles estão mais acessíveis, na importante feira que tem lugar nas laterais do Pátio Brasil, até dia 7.

A Feira do Livro de Brasília já se tornou tradição e mobiliza multidões, não porque sejam alienadas e deixem de lado os problemas do mundo, mas porque, com a leitura, muito se aprende a respeito da vida e do ser humano. Muito se conhece do passado para entender o presente e desenhar o futuro. Muito se mitiga de dores e angústias para se pavimentar um caminho de menos sofrimento.

Ler significa crescimento pessoal, aprendizado, diversão. Mesmo quando não se aprende nada de “objetivo”, é a imaginação que trabalha, célere, percorrendo caminhos inusitados, visitando outros mundos, construindo sonhos e visualizando o improvável. E quando os sonhos se expandem e multiplicam, aumentam as chances de construirmos uma sociedade mais justa e bonita. Afinal, embotamento seria achar que o mundo é como é, não pode ser mudado e nada mais há que se possa fazer.

A presença da Feira do Livro por tanto tempo – são 13 dias no total – permite, além do mais, a curtição de quem procura uma obra específica ou se deixar seduzir por qualquer uma no geral. Há estandes com material para crianças, livros em formatos estranhos e engraçados, livros com som e cheiro, cores e formas atraentes para velhos, novos ou futuros leitores. Há bancas de livros a preços baixíssimos, até R$ 1; livros por quilo. Há sebos com preciosidades protegidas pela falsa capa da velhice, livros antigos ou apenas de segunda mão, a custo acessível, paquerando até o passante mais pão-duro. É uma festa para amantes ou não do produto, e fica em cartaz até o pagamento sair.


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