Matérias jornalísticas
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A música se rende ao futebol
Clara Arreguy, 02/08/00
Estado de Minas

Suingue é a palavra-chave para falar do disco “Futebol Pop”, um projeto praticamente inédito que une duas das maiores paixões nacionais, o esporte e a música – exceção talvez para aqueles discos de hinos de clubes gravados por bandas de rock. Neste trabalho, feito pelo pessoal do programa “Tá na área”, do canal a cabo Sportv, a maioria das canções foi composta especialmente para o programa, que mantém um quadro em que ídolos musicais cantam sua ligação com o futebol.

Os gêneros e ritmos variam em todas as direções. Tem muito funk, e mais rock, samba, forró, etc. Tem música inédita, composta só para o projeto, e tem clássicos sobre o tema, como “Zagueiro”, de Jorge Benjor, e “O juiz apitou”, de Jorge Mautner e Nelson Jacobina. Tem gente menos votada e gente conhecida e popular, como Nenhum de Nós, Funk’n’Lata, Otto, Vinny, Pedro Luís e a Parede e outros.

O mais interessante do disco é a variedade de abordagens que o tema permite. São 18 composições (13 originais e cinco adaptações) em que uns preferem falar da paixão por um determinado clube – invariavelmente o Flamengo – ;outros sobre como o brasileiro despreza mulher, trabalho e responsabilidades para se dedicar a torcer;outros ainda louvam ou criticam seus ídolos. Prevalecem o bom humor e a alegria, resgatados num momento em que o futebol propriamente anda sem graça, sem respeito, corrompido pela desonestidade e por interesses alheios a esta arte em que somos tão bons.

Swing Futebol (de Pedro Sérgio Carvalho, Eugênio Lima e Marcelo Munari, com Unidade Móvel) – Um funk sobre a paixão do brasileiro pelo esporte.

É gol, explode a galera (de Rogério Fagnoni, com Evil Brothers) – Roquinho gostoso sobre o momento mais emocionante do jogo.

90 Minutos (de Thedy Corrêa e Sony Corvina, com Nenhum de Nós) – Um rock sobre a beleza da dança da torcida no estádio.

Hora da Virada (de Ivo Meireles, com Funk ’n Lata) – Paixão pelo Flamengo cantada de maneira mais condizente com a atualidade, num samba suingado que reclama da ruindade do time e com saudades de Zico, Júnior e cia.

Bola Bandida (de Daniel Pires e Leonardo Tico, com Grave) – Reggae sobre a mais amada, a bola.

A Hora dos Peladeiros (de Marcelo Massacre, Oni, Tiger, Zé Brown, KSB e Garnizé, com Faces do Subúrbio) – A pelada é uma característica do brasileiro e este rap mostra todos as aspectos do fenômeno.

A Revolução do Futebol (de e com Otto) – Meio rap, meio bateção de lata sobre a saudade do bom futebol, com menos violência e mais técnica.

Heloísa mexe a cadeira – Versão Futebol (de e com Vinny) – O vozeirão de Vinny adapta seu maior sucesso para os telespectadores do “Tá na área”.

Dfunk Fuckers tá na área (de Benegão e DJ Rodrigues, com Funk Fuckers) – Miséria e luta do povo brasileiro em comparação com o jogo, com direito a citar o zagueiro vascaíno Mauro Galvão.

O perigo tá na área (de Alexandre MZ e Ulisses, com Squaws) – Heavy metal politizado fazendo alegorias com o esporte.

Pereba (de Alf, Biu, Beto e Gustavo, com Rumbora) – Mais rock pauleira sobre um perna-de-pau que parece jogar contra o time.

O juiz apitou (de e com Jorge Mautner e Nelson Jacobina) – Delicioso samba sobre o cara que foi ver o Flamengo perder para o Botafogo e ainda tem que agüentar gozação do patrão vascaíno.

Jogador (de Márcio Werneck, com Caboclada) – Forró umbigado com arranjo de reggae sobre o desejo de todo brasileiro de ser um craque quando crescer – mais até no sentido figurado.

Melô do Analfabeto – Versão Futebol (de Fred Endres e Mano Changes, com Comunidade Nin-Jitsu) – Mais um funk, este sobre o cara que trocou os estudos pela bola.

Johny (de Tim Maia, com Ultramen) – Levada tim-maiana sobre um menino que só pensa em futebol.

Umba Bara Uma (de Jorge Benjor, com Rita Ribeiro) – Samba-rock sobre o homem-gol.

Pelada (de Pedro Luís, com Pedro Luís e a Parede) – Em bolada com jeito de Antônio Nóbrega e letra de duplo sentido sobre a famosa pelada.

Zagueiro (de Jorge Benjor, com Max de Castro) – O filho de Wilson Simonal canta um dos clássicos do maior flamenguista da MPB, Jorge Benjor, em homenagem a um jogador de posição tão desprezada.
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