Matérias jornalísticas
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Futebol, música e muita piada
Clara Arreguy, 08/08/02
Estado de Minas

Chega à final, hoje à noite,
a edição deste ano do
“MTV Rock Gol ”, que tem nos comentaristas as melhores atrações


Que Galvão Bueno e Falcão que nada. O melhor locutor e o melhor comentarista de futebol do Brasil são Paulo Bonfá Marco Bianchi. E nem Zorra Total, Escolinha ou Praça é nossa. O melhor humorístico da TV brasileira atualmente é o MTV Rock Gol. A má notícia é que hoje é a final do torneio mais avacalhado do País. A grande decisão, transmitida a partir das 23h, pela MTV, envolve as equipes da Comunidade Natidanja (que mistura músicos das bandas Natiruts e Comunidade Nin Jitsu com o cantor Jairzinho) Rockers (do cantor Vinny com as bandas CPM 22 e Tihuana) .

O programa, que começou na época da Copa do Mundo, está fazendo o maior sucesso, mais que as edições anteriores. Paulo Bonfá e Marco Bianchi não sabem explicar exatamente por que este ano foi melhor. “Talvez pelo clima do penta ”, arrisca Bonfá. O fato é que ele acaba de voltar de férias – os jogos foram gravados intensivamente e estão sendo passados aos poucos – e já no aeroporto começou a ser abordado pelo pessoal do freeshop, com comentários elogiosos ao trabalho deles. Pelo que pôde constatar, desta vez o público do programa extrapolou a faixa jovem que tradicionalmente acompanha a MTV: “Tem amigo do meu pai que assiste aos jogos sem precisar de filho ligar na emissora. Tem mulher que nem gosta de futebol e está vendo por causa das bandas”, constata Bonfá.


Intervalo

O segredo do sucesso do MTV Rock Gol é reunir duas paixões nacionais, música e futebol, com uma abordagem de humor e escracho. “Este ano, choveu durante os jogos, o que contribuiu com nosso trabalho ”, conta Bonfá, lembrando que, no caso deles, quanto pior, melhor. Lama, tropeções, escorregões, tudo isto vai parar na seleção de piores momentos apresentada no “show de horror do intervalo ”, um dos pontos altos da transmissão. Sem falar no besteirol despejado por Bonfá e Bianchi o tempo todo, inclusive nas perguntas interativas (“Vocês acham que os apresentadores do programa devem ser alimentados com sanduichinhos de atum, ou mereceriam algo mais substancioso?”) . Eles não poupam apelidos: Supla é Juninho Papito. Derek, do Sepultura, é o Gigante Epaminondas. Fora Elo Perdido, Chernobyl, e por aí afora.

O entrosamento entre Bonfá e Bianchi é outro responsável da graça do Rock Gol. Este é o quarto ano em que os dois batem bola na transmissão dos jogos. Por isso, não precisam combinar nada. E também por que atuam juntos desde o início da carreira, quando os Sobrinhos do Ataíde, grupo humorístico do qual fizeram parte, começou a fazer sucesso na Bandeirantes. Ambos têm 30 anos de idade dez de carreira. Já passaram por várias emissoras, mas têm base fixa no rádio, em programas paulistas que eventualmente são transmitidos em Minas, como Pelotão da Má Vontade, Conjunto Vazio e Filhos do Egídio, de Bianchi, pela rádio 89 de São Paulo, e o festival Semp Toshiba Transamérica, que Bonfá produz e transmite pela emissora de mesmo nome neste segundo semestre.

Com o fim do MTV Rock Gol, os dois estão cheios de planos de novos programas na TV, mas tudo a ser negociado. As boas respostas deste ano, segundo Bonfá, ajudam a abrir portas: “Percebo que, com os bons resultados, os ouvidos se predispõem mais a ouvir nossos projetos ”. O futebol está entre eles. Mesmo sabendo das limitações da TV aberta, Bonfá sonha atuar como locutor em jogos profissionais de campeonatos oficiais. “Apesar dos avanços técnicos, não há nada de novo em matéria de estilo nos últimos 20 anos ”, constata o humorista. Por isso, gostaria de ter uma chance. Bianchi concorda: acha os comentários muito caretas e se imagina conduzindo uma mesa-redonda esportiva em que a seriedade desse lugar ao bom humor.
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